​© 2013 por Luisa Restelli


 

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Sobre gordura abdominal, autoestima e os padrões de beleza

Luisa Resttelli Jun, 2015

 

 

A gordura abdominal, na sociedade atual, tem sido um dos grandes fatores no desequilíbrio da autoestima. O corpo ideal tem sido vendido pela mídia e comprado com seriedade pela grande maioria. Temos vivido uma ditadura do corpo, em que a maneira como devemos ser é estipulada pela mídia e pela moda, nos induzindo a seguir um padrão de beleza específico. Quando não nos encaixamos em tal padrão, nos sentimos feios, inferiores, inadequados. De tal modo, nos sentimos impelidos a sermos como disseram que devemos ser. A famosa “barriguinha” somente é tida como algo indesejável a ser repreendido por termos sido ensinados dessa forma.

 

Já vivemos tempos em que a beleza estava exatamente na gordurinha. Hoje a beleza está na falta dela. É preciso compreender que os padrões de beleza são apenas construções culturais de uma determinada época. Nada além disso. Precisamos sim cuidar de nossa saúde mas é preciso haver um discernimento do que é saúde e do que é apenas um padrão de beleza. Se os exames estão bons e a gordura abdominal não está prejudicando sua saúde, então deveria estar tudo bem, não é mesmo? Porém, com a idéia que nos é colocada de que é preciso ser magro para ser bonito, aceito e desejado, mesmo com a saúde ótima, nos sentimos mal com a barriga indesejável.

 

A autoestima é imediatamente diminuída quando nos sentimos inadequados ou inferiores. Algumas vezes, uma mudança externa pode ajudar em uma mudança interna. É possível recuperar a autoestima quando se consegue o corpo ideal. Porém, a causa desse sintoma é muito mais profunda e pode retornar em qualquer outra situação de sensação de inadequação.

 

Desta forma, é preciso compreender o mais profundo da baixa autoestima. Compreender que ela não está diminuída por conta de uma gordurinha a mais. Esta gordurinha a mais é apenas um motivo para você acreditar que não é capaz de ser bem aceita, desejada, bem estimada. Você teme a rejeição. No mais profundo, é uma crença de que você não é merecedora de amor. E a partir desta crença inconsciente, você busca de todas as formas se adequar ao caminho dito como certo para conseguir este amor. Você busca ser aceito, você busca ser como dizem que você precisa ser para conseguir suprir essa falta interna.

 

O mais importante é compreender que este amor, essa sensação de pertencimento e essa falta somente serão preenchidas por si mesmo. Não virá de fora, não virá do outro. Não importa quantos te digam que você é linda, quantos te amam, quantos elogios você recebe. Se você não sentir isso internamente, não acreditará no que te falam. Pode achar que estão querendo te agradar ou sendo gentis. Se essa autoestima, esse amor próprio, não brotar de dentro de você, não importa o que você faz externamente para mudar essa sensação, a insegurança ainda continuará presente em você.

 

A gordura abdominal pode até sumir e você conseguir ter o corpo tão sonhado. Mas se você não encontrar dentro de si este amor, essa autoestima pelo que você é (e apenas pelo que você é), essa insatisfação pode se deslocar para outras direções. Pode aparecer em situações em que você não se sente boa o bastante ou até para outra área do corpo que não te satisfaz.

 

Existem muitas mulheres magras insatisfeitas consigo e muitas mulheres mais gordas se sentindo maravilhosas, cheias de autoestima. O motivo disso? Elas acreditam em si mesmas. Busque, acima de tudo, encontrar dentro de si a motivação para se sentir bem. Procure fazer algo que lhe traga a sensação de bem estar, de prazer. Busque ajuda, se for preciso, com uma terapia ou uma atividade que promova a autoestima. Tente compreender, dentro de você, o ponto de onde vem esta crença de não ser boa o bastante, de ser inferior, feia, não merecedora de amor e desejo.

 

A partir desta compreensão, podemos perceber que toda esta sensação é uma ilusão que nossa mente inconsciente criou. Podemos perceber que somos muito mais que isso, e deste modo, encontrar o verdadeiro prazer em ser quem somos plenamente. E nos amar assim. E nos cuidar a partir deste amor. A verdadeira autoestima nasce da aceitação e acolhimento de quem somos, com a percepção de que todos nós somos maravilhosos em nossa individualidade. Ninguém é igual e nem precisa ser. Somos todos únicos e especiais, inclusive (e principalmente) por nossas diferenças. 

 

 

                                                     “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é

                                                                           ainda vai nos levar além.”  P. Leminski

 

 

 

Este texto foi utilizado como fonte para colaborar no artigo do site Personare: 

http://www.personare.com.br/a-gordura-abdominal-e-sua-relacao-com-a-autoestima-m6177