
Qual a função da psicoterapia corporal?
Um dos principais objetivos da psicoterapia corporal reichiana é, por meio de intervenções verbais e não verbais, auxiliar a percepção e observação dos próprios sentimentos e sensações, sabendo reconhece-los para dar-lhes um destino viável e saudável. Ao tomar consciência do que se sente, é possível compreender o que esses afetos produzem em si mesmo e em suas relações.
Trabalhamos para que o indivíduo amplie a sua capacidade de ler a si mesmo e ao outro, possibilitando relações menos defensivas e um maior fluxo de satisfação. Busca-se compreender não só os conteúdos trazidos, como também o seu funcionamento global, a maneira como se expressa verbal e corporalmente e como se coloca no mundo e é afetado por ele.
O processo psicoterapêutico vai na direção de encontrar um eixo de equilíbrio psicologicamente bem regulado entre razão, emoção e comportamento, para que um esteja à serviço do outro reciprocamente. Algumas pessoas tendem a racionalizar em excesso os seus afetos e comportamentos, com maior dificuldade de contato com as suas emoções, assim como outros tendem a emocionalizar demais as suas vivências sem conseguir uma maior clareza de pensamento.
Quando podemos regular os dois movimentos, nos permitindo sentir o que é preciso e, ao mesmo tempo, com uma clareza racional à respeito, flexibilizamos as nossas defesas enrijecidas gerando maior fluxo de energia vital no sistema e menor gasto energético, e com isso, relações mais satisfatórias e um organismo melhor auto regulado.
Os trabalhos de corpo, na psicoterapia reichiana, ajudam a acessar o inconsciente e conectar sentimentos e lembranças a partir de estímulos que acionam sensações corporais. Como foi dito no post anterior, o corpo e a mente são uma unidade indissociável e, por meio do corpo podemos aprofundar o contato interno e favorecer caminhos para a elaboração emocional (e vice versa).
Unidos a intervenções verbais, os trabalhos corporais favorecem um abrandamento das defesas emocionais a medida em que também se flexibilizam as defesas corporais. Essas defesas, quando inicialmente pontuais e contextualizadas, são naturais e importantes em determinados momentos de sobrevivência. Contudo, quando enrijecidas e cristalizadas, geram padrões e bloqueios corporais, emocionais e comportamentais.
Em breve, escreverei mais sobre os trabalhos corporais.
O que é Psicoterapia Corporal?
A psicoterapia corporal reichiana é uma linha da psicologia clínica, originalmente criada por Wilhelm Reich (1897 - 1957), nascida a partir da psicanálise de Freud, e na qual percebe-se o ser humano como uma unidade psicossomática, em que corpo e mente formam um sistema integrado e intrinsecamente relacionado ao meio em que vive.
Ele observou que toda mobilização emocional gera uma mobilização corporal assim como o que acontece a nível corporal gera uma mobilização emocional. Um exemplo simples disso é quando um período de tensão emocional gera uma tensão muscular ou a conhecida sensação de frio na barriga. Da mesma forma, quando nos machucamos, sentimos na hora uma emoção associada. Já reparou como o corpo e a mente se mobilizam ao mesmo tempo? Somos um sistema único e indissociável. Assim, quando se forma um padrão emocional, ao mesmo tempo também é formado um padrão corporal.
Por tanto, a terapia, nesta abordagem, utiliza o trabalho verbal fundamental para todas as linhas psicoterapêuticas e também, quando necessário, trabalhos corporais e vivenciais para a elaboração de conteúdos emocionais, atuando a nível psicológico, corporal e bioenergético.
É possível fazer online?
Com a condução do psicoterapeuta e uma vídeo chamada que possibilite o psicólogo acompanhar visualmente os movimentos do paciente, é possível orientar e aprofundar os conteúdos emocionais que surgem a partir do corpo.
É importante um ambiente em que haja privacidade e, se possível, um local confortável para deitar nos trabalhos que forem necessários.
Os trabalhos corporais podem ser sentados, deitados ou em pé, a depender da necessidade do que é proposto.
Alguns recursos específicos, como almofadas, toalhas e etc, também podem ser improvisados com o que estiver disponível no ambiente da sessão.
Como funciona?
Esta abordagem da psicologia clínica propõe um processo psicoterapêutico onde o indivíduo passa não só a falar sobre suas questões, mas principalmente a senti-las, compreendendo como elas se dão através de sua sensorialidade. Com a percepção mais aprofundada dos próprios sentimentos e sensações, é possível compreender o que esses afetos produzem em si mesmo e em suas relações e dar-lhes um destino mais viável e saudável.
Na visão da psicoterapia corporal, compreendemos que a mente e o corpo são uma unidade indissociável e as questões emocionais, problemas relacionais, sexuais e afetivos não são separados dos adoecimentos e problemas crônicos corporais como alergias, dores cervicais, gastrites e etc. Segundo Wilhelm Reich: "o corpo é o inconsciente visível".
A técnica terapêutica reichiana nos permite compreender tanto as estratégias de sobrevivência que foram desenvolvidas ao longo da vida em forma de defesas emocionais e comportamentais, como também as estratégias que o corpo desenvolveu neste caminho como defesas corporais que podem gerar perda de energia ou adoecimento.
Reich denominou tais defesas corporais de "couraça". A formação da couraça (encouraçamento) inclui alterações musculares (tensão ou flacidez), viscerais, respiratórias, circulatórias, sensoriais e hormonais. A couraça não é o sintoma ou doença mas pode propicia-los.
Assim, unimos a escuta e o trabalho verbal psicodinâmico, e incluímos trabalhos corporais que visam a dissolução da couraça, acompanhados da liberação de impulsos e emoções reprimidas (que geram disfunções psíquicas e corporais) e da elaboração dos conteúdos emocionais associados.
Damos atenção ao funcionamento global da pessoa, cuidando de toda manifestação que surge para ser elaborada na direção de uma vida mais satisfatória.
Como são os trabalhos corporais na psicoterapia?
É importante compreender que a psicoterapia nesta abordagem não é feita apenas com trabalhos corporais. Estes são recursos utilizados para cada caso e necessidade da sessão. Avaliamos a necessidade do processo terapêutico, assim como as necessidades específicas de cada pessoa. Nem toda sessão precisará de recursos corporais. Cada cliente é único e trabalhamos diante do que cada um precisa e permite. Tudo se adequa para o que for melhor para o processo particular de cada um.
Os trabalhos de corpo, na psicoterapia reichiana, ajudam a acessar o inconsciente e trazer à tona sentimentos e lembranças a partir de estímulos que acionam sensações corporais. Visam a dissolução da couraça, acompanhados da liberação de impulsos e emoções reprimidas (que geram disfunções psíquicas e corporais) e da elaboração dos conteúdos emocionais associados. Como já foi dito anteriormente, o corpo e a mente são uma unidade indissociável e, por meio do corpo podemos aprofundar o contato interno e favorecer caminhos para a elaboração emocional (e vice versa).
Damos atenção ao funcionamento global da pessoa, cuidando de toda manifestação que surge para ser elaborada na direção de uma vida mais satisfatória. Para que se possa trabalhar qualquer demanda terapêutica, é preciso se conectar com o que se passa internamente e, também, externamente. Essa função de contato possibilita uma maior habilidade para lidar com as emoções e tudo aquilo que pode estar sendo difícil ou gerando bloqueios.
Unidos a intervenções verbais que proporcionem reflexão e contato emocional, os trabalhos corporais favorecem um abrandamento das defesas emocionais a medida em que também se flexibilizam as defesas corporais.
Alguns dos recursos corporais que podemos utilizar na prática clínica são: respiração, actings ou movimentos desbloqueantes, técnicas de toque e massagem, movimentos oculares e fotoestimulação, expressão sonora, visualizações, técnicas vivenciais, entre outras. Todas são adaptadas aos atendimentos online também.
• Respiração: Todo bloqueio emocional envolve um bloqueio respiratório. Essa contenção respiratória pode ocorrer a nível torácico ou diafragmático, e a contenção pode ser da inspiração ou da expiração. Para cada caso, são utilizadas técnicas específicas de desbloqueio juntamente com o trabalho das questões emocionais associadas a essa contenção.
• Actings ou movimentos desbloqueantes: São movimentos corporais repetidos que reproduzem e ativam funções importantes no processo de contato e expressão afetiva utilizados para o desencouraçamento de cada região do corpo.
• Técnicas de movimentos oculares: esta é uma região de contato com o mundo interno e o mundo externo. Onde ficaram registros primordiais do início do desenvolvimento e, muitas vezes, bloqueios de contato importantes de conteúdos emocionais difíceis de lidar. (Tem posts específicos sobre isso no feed também!) Mobilizando essa região com técnicas específicas, possibilitamos o contato e elaboração desses conteúdos e o aprofundamento do contato consigo mesmo.
• Outras técnicas: fotoestimulação, trabalhos de expressão sonora, visualizações, técnicas posturais e de equilibrio, expressões faciais, toque e massagem reichiana, alongamento e técnicas vivenciais.
Como isso pode te ajudar?
Devido a diversidade de recursos terapêuticos, esta abordagem se torna eficaz tanto para o tratamento de questões psicológicas como depressão; medos e fobias; ansiedade; dificuldades de relacionamento humano e afetivo; perdas; timidez; baixa autoestima; dificuldade de posicionamento e limites; dificuldade de socialização; dificuldade de foco e concentração; compulsões; traumas; insegurança; pensamentos repetitivos e angustiantes; e demais questões emocionais, como também para muitos distúrbios orgânicos como distúrbios menstruais e ginecológicos; dores de cabeça frequentes; gastrite; bruxismo; dores musculares tensionais; disfunções sexuais; e outros diversos distúrbios orgânicos.



