​© 2013 por Luisa Restelli


 

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Quais são seus padrões comportamentais?

Luisa Resttelli Dez, 2015

 

 

Você já ouviu falar em padrões de comportamento? Sabe de que forma isso pode influenciar sua vida? Nós criamos crenças, muitas vezes limitantes, a partir de nossas experiências passadas, que geram em nós um enrijecimento ao lidar com as situações vividas. A partir dessas crenças, vamos criando maneiras padronizadas de nos comportar e reagir.


Quando vivenciamos uma situação difícil e mal elaborada internamente, passamos a buscar maneiras de nos defender para não sentir aquela dor novamente. Para isso, lançamos mão de comportamentos aprendidos que podem passar a se repetir com frequência. Começamos a nos comportar e reagir de maneira padronizada com o intuito inconsciente de nos defender daquele acontecimento passado. Ou seja, queremos tanto evitar viver aquele sofrimento de novo que criamos mecanismos defensivos para tentar evitá-lo. Estes mecanismos podem ser percebidos em nosso modo de nos comportar.


Por exemplo: se você tem uma crença de que não é boa o suficiente e precisa ser perfeito para ser aceito e, com isso, amado, pode ser que você se comporte de maneira a não desagradar o outro e, muitas vezes, até passe por cima de si mesmo para isso. Talvez você tenha dificuldade de respeitar seus limites e até de colocar limites para o outro. Pode ser que isso gere em você, diante de uma ameaça de rejeição, uma sensação, e um consequente comportamento, de que você é quem está errado mesmo. Este é apenas um exemplo. Uma mesma crença pode gerar comportamentos e mecanismos de defesa distintos para cada pessoa.


A vida, em si, é neutra. 

É importante entender que, em si, a vida é neutra. Toda e qualquer situação é neutra. Nós colocamos significado a partir de nossas referências passadas. Se observarmos isso, vamos perceber que a todo momento estamos interpretando e imaginando as situações de acordo com nossas próprias crenças e experiências. E, assim, sempre tentando nos defender do sofrimento relativo ao nosso ponto de dor. 

Um outro exemplo que costumo dar em meus grupos terapêuticos quando falamos sobre isso é uma situação bem corriqueira que, provavelmente, você já vivenciou de alguma forma: Imagine que você precisa falar algo importante com alguém. Antes mesmo de você ir ao encontro dessa pessoa para falar o que precisa, você já começa a imaginar o que você vai dizer e a resposta dessa pessoa pra você. Às vezes você até pode pensar “Ah, nem adianta falar, já sei até como vai ser!”. Você cria um diálogo na sua cabeça e já imagina como a pessoa vai reagir e qual será sua resposta a partir da reação dela. Diante dessa imaginação, você ou desiste de falar ou vai conversar já na defensiva, esperando pela reação suposta. Digamos que você ache que ela vai ser grosseira com você e, ao chegar para conversar, você já fala de maneira agressiva se defendendo da grosseria que você imagina receber. Então, a partir desse comportamento, a pessoa acaba, de fato, sendo grosseira por reagir à sua reação defensiva de algo que você apenas imaginou que pudesse acontecer. Já percebeu isso?

Esse é um exemplo para observarmos como nossa mente funciona e, muitas vezes, nem nos damos conta. O quanto uma situação neutra se torna cheia de significados por conta de nossas próprias interpretações baseadas em referências passadas.

Desta forma, no nosso dia a dia, nós vamos interpretando e significando as situações pelas quais passamos, baseado no passado na qual a crença foi criada. Assim, nos comportamos de maneira já defendida e padronizada por já estar associando o acontecimento presente ao passado. Isso se torna uma armadilha pois, ao se defender para tentar evitar aquilo que teme acontecer, você se coloca de maneira a contribuir para que aquilo aconteça. Isso acaba por reforçar ainda mais a sua crença limitante, virando uma bola de neve de confirmação da crença e enrijecimento da autodefesa. Olha só como nos embolamos. 

É necessário, então, que possamos perceber o que tem regido nossos comportamentos e que padrões tem se repetido em nossas vidas. Repetições negativas são um grande sinal de alerta para algo que precisa ser olhado e ressignificado dentro de você. No processo de autoconhecimento, vamos reelaborando os sentimentos negados que geram os padrões defensivos, para então vivermos uma vida mais livre e espontânea. 



Se quiser aprofundar no assunto e ainda não tenha visto, leia meu artigo “Defesas emocionais geram situações que você mais teme”. Eu explico um pouco mais sobre como tudo isso funciona.