​© 2013 por Luisa Restelli


 

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O que é um corpo bonito para você?
Uma reflexão sobre padrões de beleza femininos e autoestima

Luisa Resttelli Jan, 2016

 

 

O que é um corpo bonito pra você? Vamos refletir um pouco sobre os padrões de beleza? A primeira parte a se questionar já vem com o próprio termo: “Padrão de beleza”. Particularmente acho tudo o que é padronizado muito chato e maçante. Muito sem alma, muito sem cor, muito sem vida. Padronizar pessoas, seres, corpos, jeito de ser é padronizar a vida e a alma. E nada disso é padronizável! O triste é que somos tão encharcadas desses pensamentos e esses padrões estão tão arraigados em tudo o que vemos e ouvimos, que acontece uma verdadeira lavagem cerebral. Quando mal nos damos conta, estamos brigando com aquela dobrinha na barriga, com aquela ruga que nasceu e arrancando aquele cabelo branco que nos denuncia. Quando mal nos damos conta, estamos buscando clarear o cabelo, levantar os seios e malhar o glúteo! E nem vamos comentar sobre as sessões de tortura de depilações em infinitos lugares inimagináveis, arrancando não só todos os pêlos que a natureza nos deu como também algumas lágrimas dos olhos. Tudo por um corpo bonito. Bonito? Quem foi que disse? 

Vivemos uma ditadura do corpo

 

Precisamos compreender que os padrões de beleza são apenas uma construção cultural, um conceito reforçado pela mídia, para obter controle sobre nós e, claro, ganhar dinheiro. Mas não vamos focar nesse aspecto hoje. Hoje quero falar sobre aquilo que, em nós, nos faz seguir o padrão. 

 

A beleza é um conceito que muda conforme a época. É só observarmos as épocas em que a beleza estava em ser gorda ou ter seios pequenos. Cada cultura e cada época gera seu padrão de beleza. A desmistificação do padrão como algo inventado é uma grande porta para se libertar. Se podemos entender que é apenas um conceito construído socialmente, podemos também compreender que nada há de errado em ser diferente do dito ideal. Afinal, quem inventou isso? Porque eu deveria seguir o que alguém resolveu inventar? 

Nos é ditado o que devemos ser e, muitas vezes sem questionar, vamos seguindo. Afinal, quem não quer ser aceita? Quem não quer ser amada? Quem não quer ser desejada? Mas, como foi dito, o conceito padrão de beleza é uma criação, não é uma verdade absoluta. Colocaram em nossa cabeça que, para sermos aceitas, amadas e desejadas, precisamos ser padronizadas, precisamos ser aquele específico tipo de mulher. E a própria existência do padrão de beleza a ser seguida já naturalmente gera uma insegurança, não é mesmo? A necessidade de se encaixar em um padrão com a idéia de que, assim, será aceita consequentemente já nos diz que o jeito que somos não é bom. E assim facilmente caímos na sensação de inadequação, inferioridade e baixa autoestima. 

A crença de não ser boa o bastante 

É importante compreender que a autoestima só é afetada quando temos a crença de que não somos mesmo boas o suficiente. A necessidade de aprovação surge a partir da crença mais profunda de que precisamos ser melhores do que somos, porque o que somos não basta. Os padrões de beleza só alimentam essa crença, nos dizendo que existe um caminho para ser amada, aceita, e que este caminho é se adequar ao padrão. Mas a necessidade de se adequar ao padrão esconde algo muito mais profundo: a necessidade de ser amada.

 

Por não se sentir boa o bastante, e consequentemente não se amar, buscamos a aprovação no exterior, no outro, nos segurando em formas específicas de ser que nos leve a aprovação e ao amor. Em algum ponto de nossa história, passamos a acreditar que precisamos ser além do que somos para sermos amadas. É importante perceber que isto é uma crença. Apenas uma crença. Isso não é verdade. 

A beleza está em ser feliz consigo mesma. É aí que mora a grande beleza e a autoestima. Quando nos aceitamos e nos amamos como somos, curtimos uma felicidade que transparece até fisicamente, pois estamos empoderadas de nós mesmas. Não há beleza mais bela que uma mulher que se conhece, se acolhe e se ama como é. Mas se ainda está difícil entrar nesse estado de comunhão consigo mesma, não tem problema. Não entre em guerra com você por ainda não conseguir se amar.

 

O primeiro passo é reconhecer que ainda não integrou todos os seus aspectos e ainda não se ama por completo. O segundo passo é aceitar e acolher este fato sem preocupações ou martírios. Faz parte do processo, acolha que ainda está difícil, que ainda não deu, mas comemore que você está no caminho buscando por isso! O próximo passo é buscar compreender onde está o ponto dentro de você que a impede de se amar, que a impede de acreditar que é boa o bastante, que é maravilhosa como é, que é digna de amor e respeito. E eu digo isso em todos os sentidos, não só físicos. Onde está o ponto em você que acredita que precisa seguir o padrão pra ser melhor porque quem você é não é bom o suficiente? Em que momento da sua história você começou a acreditar nisso? E o que você pode fazer hoje para transformar e ressignificar esta crença?

Assim vamos caminhando, nos conhecendo e aceitando quem somos, desconstruindo o que disseram para sermos e descobrindo a beleza imensurável de quem realmente somos. Sem amarras, sem medos, sem moldes, sem máscaras. Simplesmente sendo.